A matéria “Como algumas tradições religiosas pensam a eutanásia”, publicada por O Tempo em 12 de maio de 2026, ouviu representantes do espiritismo, catolicismo, islamismo e budismo. Reproduzimos abaixo, com os devidos créditos, o trecho com a fala de nosso abade, Monge Mokugen Roshi, à jornalista Ana Elizabeth Diniz.
“Transcender o egocentrismo”
Na tradição Soto Zen, a eutanásia é vista com muita cautela e, em princípio, rejeita-se sua normalização e popularização. O budismo não adota uma postura dogmática sobre qualquer assunto, tampouco sobre a eutanásia. O desapego, o bom senso, a flexibilidade e a compaixão fazem parte da sabedoria budista.
Vida e morte são dois aspectos da existência no mundo relativo dual; reconhece-se a morte como parte natural da existência e valoriza-se o direito à passagem com dignidade, tanto para quem morre, quanto para os que ficam.
A eutanásia como prática profissional da saúde para apressar a morte de uma pessoa em grande sofrimento, jamais pode ter seu uso banalizado, mas deve ser vista como um direito individual ou familiar, como último recurso para pacientes terminais e doenças comprovadamente incuráveis e sem possibilidade de reversão.
É inaceitável, sob o ponto de vista budista, que pessoas relativamente saudáveis, mas muito apegadas a seres e coisas, utilizem a eutanásia levianamente como fuga. Para esses casos, a transcendência dos apegos e dos egocentrismos é o caminho recomendado para valorização da vida.